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Lev Tolstoy (1828-1910): a procura da autenticidade

MOSTRA | 27 abr. - 27 jun. '15 | Sala de Referência | Entrada livre

Lev Nikolayevich Tolstoy, também conhecido como Leon, Leão ou Liev Tolstói (1828-1910), foi um dos mais importantes romancistas russos. As suas obras – de que se destacam Guerra e Paz, relato das campanhas de Napoleão na Rússia, e Anna Karenina, na qual caracteriza o ambiente social da época e traça um dos retratos femininos mais profundos e sugestivos da história da literatura, e por alguns considerado o maior romance jamais escrito – foram traduzidas em mais de 20 línguas, incluindo o português. Os seus romances estão na origem de inúmeras peças de teatro, bailados, óperas e filmes.

Apesar de algo esquecido, as obras de Tolstoy continuam atuais. As questões que aborda são intemporais porque dizem respeito ao homem: fé e amizade, sentido da vida e procura da verdade, amor e compreensão, perdão e arrependimento, injustiça e guerra, as escolhas éticas do quotidiano... A leitura de Tolstoy permite-nos a procura de soluções para os problemas do homem, para os problemas do mundo, para uma abordagem da vida com sentido ético...

O escritor teve uma vida longa, na qual incessantemente aprofundou a sua espiritualidade e procurou o autoaperfeiçoamento. Nos seus livros, Tolstói partilha com o leitor as suas vivências, convidando-o a entrar no mais recôndito da sua vida interior. As suas obras impressionam pela  autenticidade, pela profundidade dos perfis psicológicos, pela precisão com que descreve os personagens ou os acontecimentos históricos, o que só é possível a alguém que os vivenciou.

Quase todos os personagens e cenários dos livros de Tolstoy foram inspirados em pessoas ou situações reais. Nas descrições da natureza podem ver-se as características da sua amada Yasnaya Polyana – nome da propriedade onde nasceu, escreveu e foi sepultado, situada a cerca de 200 Km de Moscovo e onde esta sediada a sua Casa-Museu. E a personalidade dos seus personagens possui muito da sua experiência de vida. «Os meus escritos são muito eu», refere Tolstoy, o que é revelador da autenticidade e da sinceridade da sua criação.

Para entender Tolstoy, devemos tentar ser tão contemplativos e atentos como o próprio escritor. Atentos aos mínimos detalhes da vida, aos livros que leu; aos seus manuscritos, à sua caligrafia; ao interior da casa onde viveu; aos seus objetos pessoais, às suas fotografias. São estes detalhes que podem ajudar a entender a personalidade e as obras de Tolstoy.

São escassos os contactos entre Tolstoy e a literatura portuguesa. Sabe-se que traduziu Antero de Quental, do alemão para o russo. E conhece-se a visita de Jaime de Magalhães Lima a Yasnaya Polyana, em 1888. O encontro com Tolstói deixou-lhe uma vívida impressão, o que o levou mesmo a referir «[…] o pensamento voa mais alto em duas horas com um homem de génio do que em dois anos de meditação». Mais tarde vem a traduzir, do francês, os textos de Tolstoy: Ma religion e La vie, que deram origem à obra As doutrinas do conde Leão Tolstoi, publicada em 1892, e O ensino de Jesus: uma exposição simples, dedicada às crianças. Sabe-se também que trabalhou numa biografia de Tolstoy, de que apenas terá redigido o primeiro capítulo.

tolsoti_guerra_pazEsta mostra, cujo essencial assenta na exposição itinerante Lev Tolstoy: vida e obra, efetuada pela Casa-Museu de Lev Tolstoy (Yasnaya Polyana), permite-nos, através de painéis e fotos, bem como das edições russas de Crónicas de Sebastopol, Guerra e Paz, Anna Karenina e Ressurreição, e de diversas traduções portuguesas das suas obras mais representativas, percorrer o seu percurso criativo, e através dele os acontecimentos históricos que estiveram na base das suas obras: a Guerra da Crimeia nas Crónicas de Sebastopol, a campanha da Rússia de 1812 (ou Guerra Patriótica de 1812) na Guerra e Paz, a sociedade russa no século XIX em Anna Karenina, o sentido da vida, o sistema judicial e as condições dos presos em Ressurreição; a educação, os problemas agrários, a fome, a injustiça, as crenças, nos artigos.