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2.ª - 6.ª 09h30 - 19h30 /

sáb.  09h30 - 17h30

 

 

Folha de sala

Um giro pelo Campo Grande
EXPOSIÇÃO | 10 - 30 abril '15 | Galeria da BNP – Piso 1 | Entrada livre


Lisboa era outrora rodeada por campos de cultivo. Eram também acentuadamente rurais os chamados campos de Alvalade que ocupavam a área que hoje abrange o Campo Grande e o Campo Pequeno.


Há notícia da existência de vinhas no Campo Grande no século XII. Sabe-se que já existia como freguesia do termo de Lisboa pelo menos desde 1602, tendo sido, até ao século XIX, uma zona de hortas e quintas nobres.


Logradouro público pelo menos desde o início do século XVI, só em 1682 se mandou nele delinear a primeira alameda. Em 1801, o futuro D. João VI, então ainda Príncipe Regente, ordena a D. Rodrigo de Sousa Coutinho que «mande logo por Pessoas inteligentes proceder à informação de um Plano, pelo qual se estabeleçam convenientes Passeios Públicos nos Campos Grande e Pequeno, sitos nos subúrbios da Cidade de Lisboa, e que compreenda assim a plantação de Árvores, e qualidade destas, com os meios da sua sustentação, que quanto for possível deve sair dos mesmos Campos suprindo a sua despesa pelo Cofre do Donativo estabelecido no Meu Real Erário».

 

A partir daí, Campo Grande é sinónimo de passeio público. Em 1836, um edital da Câmara Municipal de Lisboa regula o funcionamento do espaço: proíbe a entrada de «carros de bois, ou bestas de carga dentro do Passeio do Campo», determina que «as carruagens, seges, e pessoas a cavalo, deverão transitar somente pelas ruas largas», que «todo o gado que se encontrar a pastar […] será apreendido», que «ninguém poderá estender roupa dentro do Passeio», que ninguém aí poderá praticar caça. Em 1874, refere Pinho Leal: «dá o nome a esta freguesia uma extensa planície (arborizada e ajardinada no gosto do Bosque de Bolonha, em Paris, e cujo melhoramento se  principiou em 1869 e ainda não concluiu) […]. É cercado de belas casas, quintas e hortas, e frequentadíssimo dos lisboetas. […] Há aqui brilhantes corridas de cavalos, organizadas pelo high-life de Lisboa, por cavaleiros (sportsmen) estrangeiros, sobretudo ingleses».

 

Este Campo Grande como zona rural e de lazer, no termo de Lisboa, onde os lisboetas vinham passear – «aos domingos dava um giro pelo Campo Grande…», como confessava um personagem de um conto de Mário de Sá-Carneiro – andar de cavalo ou de bicicleta, manteve-se até meados do século XX, altura em que o centro da cidade se estende da Baixa às Avenidas Novas e chega às portas do Campo Grande onde se começa, então, a edificar. A partir de 1945, depois do ciclone de 1941 que o devastou, o Jardim do Campo Grande recebe, em momentos diferentes, um restaurante, bares, lagos, campos de ténis, ringue de patinagem, parque infantil e piscina, e mais tarde um cinema e um centro comercial, no chamado edifício Caleidoscópio.


Hoje, o Jardim ou Parque do Campo Grande é o maior espaço verde do centro de Lisboa, com mais de 11 hectares, e possui, além de um lago «navegável», onde é possível alugar barcos a remos, restaurante, parque de merendas e parque  infantil.


Pela sua localização e orografia plana, a zona do Campo Grande foi historicamente local de exercícios e confrontos militares. Em 1323, é nos campos de Alvalade que se dá o encontro dos exércitos de D. Dinis e do infante D. Afonso, aí se consumando a reconciliação entre ambos, mediada pela Rainha Santa Isabel. Em 1384, como refere Fernão Lopes na Crónica de D. João I, aí se registam incidentes entre portugueses e castelhanos. Dois séculos mais tarde, em 1578, é também nos campos de Alvalade que D. Sebastião, antes da partida para Alcácer Quibir, todos os domingos e dias santos juntava os exércitos para lhes passar revista. É aí também que no final do século XVII, D. Catarina de Bragança, viúva de Carlos II de Inglaterra, regressada a Lisboa, é recebida por D. Pedro II. No início do século XIX, aquando das invasões francesas, o Campo Grande foi campo de treinos militares, e em 1833 é palco de confrontos entre os exércitos miguelista e liberal.


São os testemunhos desta história secular que a exposição da Biblioteca Nacional de Portugal (BNP), integrada na Lisbon Week 2015, dedicada ao Bairro de Alvalade, pretende evocar.